Frota de motos no Brasil chega a 38,4 milhões e reforça papel na mobilidade

Com 42,7 milhões de condutores habilitados e mais de 1,57 milhão de motocicletas emplacadas apenas nos oito primeiros meses de 2026, as duas rodas ampliam sua presença no transporte, no trabalho e nos deslocamentos diários dos brasileiros.

A frota de motos no Brasil chegou a 38,4 milhões de unidades em junho de 2026, segundo levantamento divulgado pela Abraciclo com base em dados de trânsito. O número representa crescimento de 46,8% em relação a 2017 e ajuda a dimensionar como a motocicleta ganhou importância na rotina dos brasileiros. No mesmo período, o total de condutores habilitados na categoria A passou de aproximadamente 30,7 milhões para 42,7 milhões.

Os números de vendas reforçam esse movimento. Depois de um primeiro semestre recorde para o segmento, o mercado continuou crescendo. Em agosto de 2026, foram emplacadas 205.190 motocicletas, scooters e motonetas, avanço de 3% sobre julho e de 10,6% na comparação com agosto de 2025. De janeiro a agosto, o volume chegou a 1.578.909 unidades, crescimento de 12,1% sobre o mesmo período do ano anterior.

Mais do que indicar expansão comercial, os dados mostram como a motocicleta passou a ocupar diferentes funções. Ela está no deslocamento para o trabalho e para a escola, nas entregas, na prestação de serviços e também no uso pessoal de quem busca maior agilidade nos trajetos diários.

Por que a motocicleta ganhou espaço no cotidiano?

Não existe apenas uma razão para o crescimento das duas rodas no país. O avanço está ligado a diferentes perfis de uso e também à própria diversidade do mercado brasileiro.

Uma motocicleta compacta pode atender quem percorre poucos quilômetros diariamente dentro da cidade. Já outro motociclista pode alternar avenidas, vias mal pavimentadas e deslocamentos mais longos, exigindo características diferentes de motor, suspensão, autonomia e ergonomia.

Por isso, escolher uma moto apenas pela cilindrada ou pela aparência pode deixar de lado fatores mais importantes para o uso real.

O tipo de percurso, a distância diária, a frequência de utilização, as condições das ruas, a posição de pilotagem, a autonomia e a necessidade de transportar carga são alguns dos aspectos que devem entrar na avaliação.

Motos de 125 cc atendem principalmente ao uso urbano

Na faixa das 125 cilindradas estão modelos desenvolvidos principalmente para deslocamentos cotidianos, com dimensões e características que favorecem a utilização urbana.

Entre os exemplos do mercado está a Avelloz AZ125 Alfa. O modelo utiliza injeção eletrônica, partida elétrica e sistema de frenagem combinada CBS. A fabricante também informa peso seco de 109 kg, painel digital e entradas USB, características associadas à proposta de utilização diária.

Isso não significa, porém, que toda motocicleta de 125 cc seja automaticamente a escolha mais econômica ou adequada para qualquer motociclista.

O comportamento do motor, peso total, ergonomia, relação de transmissão, disponibilidade de peças, manutenção, seguro e valor de aquisição também devem ser considerados antes da compra.

E quando uma moto de 160 cc faz mais sentido?

Para quem percorre trajetos variados ou procura desempenho adicional, modelos próximos das 160 cilindradas podem oferecer outra combinação de características.

A Avelloz AZ160 Xtreme, também citada no material enviado ao MotoPlay, exemplifica essa proposta. O modelo tem motor de 160 cc com potência máxima declarada de 12,3 cv a 8.000 rpm e torque de 11,6 Nm a 6.500 rpm. O câmbio é de cinco marchas e o tanque comporta 13 litros.

A moto também possui rodas de 19 polegadas na dianteira e 17 polegadas na traseira, peso seco declarado de 136 kg e 270 mm de distância livre do solo. O sistema de frenagem é CBS.

Esses números mostram por que somente a cilindrada não conta toda a história. Dois modelos próximos em capacidade cúbica podem apresentar propostas bastante diferentes dependendo do chassi, suspensão, rodas, peso e relação de transmissão.

Uso da moto deve definir a escolha

Guilherme Limeira, diretor de engenharia da Avelloz, defende que a escolha considere o conjunto do veículo e, principalmente, a rotina de quem vai utilizá-lo.

“Não existe um único conjunto de características adequado para todos os motociclistas. A escolha deve considerar as necessidades de cada pessoa e a forma como a motocicleta será utilizada”, afirma o executivo no material enviado pela fabricante.

Para quem circula majoritariamente em ambientes urbanos, facilidade de manobra, consumo, ergonomia e custo de manutenção podem ganhar peso.

Quem enfrenta vias irregulares pode prestar mais atenção ao curso das suspensões, tamanho das rodas e distância livre do solo. Já para deslocamentos longos, conforto, autonomia e capacidade do tanque se tornam pontos mais relevantes.

Além disso, é importante considerar fatores que não aparecem diretamente na ficha técnica, como rede de assistência, disponibilidade de peças, custo do seguro, revisões e valor total de propriedade.

Mercado de motos segue em expansão em 2026

O crescimento também mudou a disputa entre fabricantes. Em agosto, Honda e Yamaha continuaram nas duas primeiras posições do mercado brasileiro, enquanto Mottu, Shineray e Bajaj completaram o grupo das cinco marcas mais emplacadas no mês. A Avelloz apareceu na sexta colocação, com 3.254 unidades e participação de aproximadamente 1,6%.

A posição merece contexto: a própria Avelloz informa que terminou 2025 como a quinta marca mais emplacada no país, enquanto o resultado de agosto de 2026 a colocou em sexto lugar naquele mês.

O cenário evidencia um mercado mais amplo e com maior variedade de fabricantes e propostas.

Para o consumidor, essa expansão aumenta as opções, mas também torna a pesquisa antes da compra ainda mais importante.

Com 38,4 milhões de motocicletas em circulação e 42,7 milhões de pessoas habilitadas a conduzi-las, as duas rodas deixaram de representar apenas uma alternativa de transporte. Para milhões de brasileiros, já fazem parte da estrutura cotidiana de mobilidade, trabalho e deslocamento.

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